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Eu acho tão fascinante quando uma série norte-americana critica ou questiona a política/estilo de vida do seu país. Porque esse é um povo tão ufanista que muitas vezes acabam contaminando suas produções artísticas com esse orgulho patriota, por essa ideia de que os EUA são o centro do universo...
Em The Americans, é notável a desmistificação da vilania dos russos (ainda mais por ser uma série criada por um ex-agente da CIA), que por muito tempo foram os maiores rivais políticos dos EUA (talvez ainda sejam), e isso é muito interessante. É claro, Philip é um agente do KGB que se encantou com o american way of life (e mesmo assim, é um soldado que não acha que a guerra vale mais do que sua vida). Mas Elizabeth é uma badass comunista ("eu senti uma fraqueza no povo", ela diz, ao chegar nos EUA), e essa personagem é o coração da série, pelo menos nesse primeiro episódio. É interessante notar, aliás, que o case of the week não é apenas um traidor, mas também alguém que estuprou Elizabeth no treinamento, o que faz com que o telespectador americano tenha uma maior empatia com a anti-heroína.
Além disso, outros três aspectos me agradaram nesse piloto: o realismo da série, o pano de fundo histórico e a própria abordagem da Guerra Fria em si. A minha única ressalva é para a (falha na) ambientação da época. Mas sinto que encontrei uma substituta à altura de Mad Men na minha grade.
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