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O episódio mais triste até aqui justamente porque revela o quão doentia é a sociedade que insiste em menosprezar as mulheres, na qual usá-las como adorno e troféu é símbolo de poder, de disposição sexual e de reconhecimento entre os homens que se comportam como senhores de tudo. Infelizmente, somos a continuidade disso hoje, guardadas as proporções das máscaras e aperfeiçoadas as nossas resistências após as heranças que essas mulheres nos deixaram. Mulheres como Charlotte, mas também como Lacey. As personalidades absolutamente distintas mostram como o dinheiro e a posição não devem ser usados pra nos submeter, as duas colhendo as agruras que a nova vida de servidão legam, principalmente a quem se envolveu pela ilusão de que receberia algum reconhecimento por parte daqueles que as usam e objetificam, exatamente como fazem às esposas. O desengano maior pra elas deve ser a falta de acolhimento quando confiaram na pessoa que as susteve durante algum tempo, Margaret. É ela que, na ânsia de conseguir segurança financeira para as filhas e, consequentemente, pra si, acaba não enxergando como aquilo as implode, mina sua noção de liberdade e as joga diante dos urubus ansiosos por sugar delas todo o prazer possível, da maneira mais egoísta. Negar abrigo a Lacey é triste, mas conseguimos entender sua raiva, muito porque a ligação entre elas foi a de negócios. Mas negar proteger Charlotte quando ela revelou a necessidade de acolhimento e consolo, assim como empurrar Lucy a um ser daqueles quando ela visivelmente tá horrorizada, não deixa de ser egoísta, apesar de sabermos que em parte isso se deve a tudo que passa pra se manter e manter sua casa. Mesmo assim, ela é o tipo que reúne características admiráveis e criticáveis numa medida proporcional... isso não a faz odiável, mas nos deixa aborrecidos com a capacidade que tem de botar uma viseira quando isso lhe interessa. Mesmo assim, espero que renda ainda mais camadas, como as que Lydia está desenvolvendo.
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