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"Continuou a arrumar as malas. Era o fim de Dickie Greenleaf, sabia. Detestava tornar-se Tom Ripley outra vez, odiava a ideia de ser um joão-ninguém, a ideia de adotar seus hábitos novamente e a sensação de que as pessoas o desprezavam, que ele as aborrecia, a não ser que representasse para elas como um palhaço, sentindo-se incompetente e incapaz de outra coisa que não fosse entreter os outros por alguns minutos. Odiava ter de voltar a si mesmo, como detestaria vestir roupas velhas, manchadas e sem passar, que nunca tinham sido boas, nem mesmo quando novas. Suas lágrimas caíam sobre a camisa listrada de azul e branco de Dickie que estava na mala, engomada e limpa, parecendo tão nova como quando a tirara da gaveta, em Mongibello".
(Trecho de "O Talentoso Ripley", de Patricia Highsmith. Capítulo 21)
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