Exibido em: 02-Nov-2020
Ultima edição: Lucas | Editar minissinopse |
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Se você não entende o olhar do Luca Guadagnino, essa série não é pra você.
A trama é clara, o desenvolvimento também, é uma série que mais se aproxima da realidade, onde nada acontece, mas ao mesmo tempo tudo acontece. Vários momentos dessa série eu me via da forma mais real e crua na minha adolescência, envolvido em situações aleatórias e ao decorrer disso, me descobrindo. Acho que essa é a real essência da série, ou chega perto disso. Não sei se terá uma segunda temporada, mas gostaria, para ver o crescimento desses personagens.
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que aflição ver esses garotos andando sozinhos no meio da madrugada por um lugar desconhecido
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Vamos te teoria? Cate é um delírio?
Gente, com esse final (e com certeza um adeus definitivo à série), muitas coisas ficaram em aberto e outras faltaram explicar. Fato interessante que aguça nossa imaginação na tentativa de completar uma série que não amarra seu fim. (Um pesadelo para outros que gostam de tudo organizado). Mas com os diálogos de hoje, umas confirmações e por fim, acontecimentos, eu comecei a me questionar se Cate poderia ser um delírio do Frase (assim como Mark). Nada muito elaborado, só pegando alguns fatos. - Fraser admite que Mark se tratava de uma história inventada, logo, de um delírio. (O Mark em si existia, mas não tinha toda essa história/interação que Fraser narrava. Ele chega a contar que apenas ficou fanático por essa pessoa e então o delírio se deu). O menino do carro da carona e do show (me fugiu o nome, não sei se foi dito), interage o tempo todo com Fraser e eles vivem algo épico, mas no final, quando Fraser se lembra da Cate, o menino some - literalmente. Logo entendemos que se passou de um delírio do Fraser também. - AGORA ENTRA A CATE: Ela interagiu com esse menino que nós temos certeza que se tratava de um delírio. Logo, ela também seria um delírio do Fraser? - Diálogo importante nesse episódio: Cate diz "Não existimos". Seria uma alusão ao delírio? - (IMPORTANTE AQUI: não que a Cate em si não exista. Mas talvez tenha passado pela mesma questão do Mark). - Motivo central que possibilitaria que Cate se tratasse de um delírio: Fraser gostou dela, ficou fanático por ela, logo, criou esse delírio projetivo para poder lidar com todos os conflitos da sua vida. Conflitos que se passavam por sexualidade, identidade, diferença, abandono, amor, ódio, por aí vai... Basicamente ela que possibilitava a maioria dos laços sociais do Fraser e resolução de conflitos, e sabemos que ele tinha dificuldade de se "enturmar", logo, através "dela" ele conseguia estabelecer vínculos. É isso gente, mais uma teoria que partiu da minha fantasia de uma série fantástica sem fim. Deixo frisado que essa "teoria" foi uma criação minha para deixar o final mais interessante do que ele já foi. Isso não se torna uma verdade, então sintam-se livres para fantasiar teorias possíveis, finais alternativos e respostas amplas.
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Sinceramente, 50% do episódio foi show e os outros 50% foram cenas da Caitlin andando
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A sutileza do subtexto, o poder do não-dito, das intenções subconscientes, o simbolismo gestual, comportamental, não é pra todos mesmo. Pra quem gosta de obras contemplativas e introspectivas, de psicologia comportamental, filosofia da ambiguidade existencial, We Are Who We Are é um deleite. Brit e Cate, Fraser e Cate, estava lá o tempo todo. O desejo sempre começa com uma identificação com o outro, que é o que eu sou, mas também o que eu não sou.
Uma das primeiras coisas que o Fraser observa logo no piloto é que "todos são obcecados com identidade por aqui". "Definir" significa literalmente "por limites em". Se você acredita em por limites na sua identidade, se define, se coloca em caixinhas categóricas, como uma maneira de organizar sua vida e não se perder no fluxo absurdo e paradoxal que é a existência, bom pra você. O sofrimento de todos na série se dá justamente por querer por limites num para-si, numa subjetividade complexa e polivalente que anseia por liberdade, mas é restringida por todos os lados, até pelo próprio sujeito. Identidade é um rio, com paradas momentâneas, mas está em fluxo constante. E então você morre. Você viveu como queria ou se deixou restringir pelo vontade dos outros ou pelo próprio medo? Acho que Fraser e Cate se fizeram essa pergunta em diversos momentos e finalmente entenderam. Não é tanto sobre ser gay, bi, trans, não-binário, soldado, marido, mulher... Isso é secundário. É sobre ser.
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